quarta-feira, março 15, 2006

Mulher da Guiné

Intimas o espaço
frondosa
palmeira verde
desafias o arco-íris
nas tuas cores
de mulher
caminhas suave
navegando
em estradas
de nenufares

Mulher da guiné

amendoinha, fole, manga da terra
cabaceira, abacate, goiaba, veludo
- os sabores dos teus lábios

Mulher da guiné

mimoseas o andar
como o canto de uma voz eunucua
coqueiro balouçando ao vento
perfume de terra molhada
beijando a esplanada de areia branca de varela

sorriso brando
corpo ébano
suando a maresia
és tu Mulher da Guiné

marcam-te o espaço na órbita
das três pedras do fogão
nos circuitos da lenha
no vai-vem da fonte
de - balde - em - balde
nos labirintos esquecidos da cozinha
querem-te domesticamente adormecida

mas
segue os acordes
das melodias do teu chão
dos korás, e bombolons
dos djembés e dos nhanheros
- os teus caminhos

Mulher da Guiné

corpo veludo sossego
musicado em sons de flauta
duas pequenas luas
explodindo na cara canseira
asseda os tormentos
caminha fêmea como a tua Guiné
a novos partos de sabura.

tony tcheka
praia de Varela

1 comentário:

A.Quade disse...

um retrato característico da mulher guineense numa mística de enumerações em que a natureza-mãe oferece todos os seus sabores para esboçar a escultura feminina da bela palmeira que no seu caminhar deixa aromas de nenúfares entre os caminhantes/espectadores do teatral vaidade e lampejos de loucura texturados pela arquitectura divina da perfeição.
Mulher um dia "fole,cabaceira", outro dia "amendoinha, goiaba" ou de vez em quando "manga de faca" com a seu humor azedo e acre e tão deliciosa e suave na douçura do seu olhar e encantar fundindo ouros e pratas entre a cor da alma e do sorriso hilariante.
entre o ébano do corpo esbelto e silêncio da voz que encanta uma conhunhão de musas e música, os vento convocam ao korá e bomblom para Djambadon no camhinho da feira onde djidius e balobeiro cogitam a prosperidade da lavoura no arrozal da guineidade.Poesia fertil.Tchintchor em digressão